Temer na cadeia Aécio na cadeia

Temer na cadeia Aécio na cadeia
Copiem e colem em seus perfis

quarta-feira, 28 de março de 2012

AMARA


AMARA

O poema traduz tudo que calo
Cura os calos raros da razão
Na emoção que seduz
Traz paz ao coração

A pena é imensidão de luz
Reduz a pena que o mundo prega
Onde o poeta mudo renega a pena de si mesmo
Muda sem sombra de transubstanciação

Estância que demais demora
Aurora dos mais sublimes dias
Amara amara maré de amora

Amar aprendia
Mas essa poética não é de amor
Pura estética sem nostalgia

ATEU POETA
00:22
28/03/2012

terça-feira, 27 de março de 2012

GUARIDA POÉTICA



Sempre preferi chuva a sol
E me senti um peixe no anzol do ser igual
Sou ser da noite
Longe do longo açoite de luz

Um dia liberto todos os medos
E os enfrento de uma vez
Por enquanto só os domo aos poucos
Por que sou o dono

Eles a mim pertencem
Minha morada eterna é a madrugada fria da serra
A serração encanta meus olhos

As matas matam a saudade guardada
Guarida de todos os sonhos
Montanha adorada de onde brota a poesia

ATEU POETA
27/03/2012
5:26

segunda-feira, 26 de março de 2012

SANTA MERETRIZ

Um coração de meretriz habita o peito da santa
Sua ingratidão é tanta que abandona o próprio lar
Capaz de por o mundo no bolso sem que se note
A noite é muito longa para se encontrar

A fuga é uma pequena parte da querela
Surpresa abala aos desavisados
Mas, cada qual que persiga a sua estrela Dalva
Os desconsolados que se controlem

Cada caubói sabe o boi ao qual derruba
O alvo que acerta
Se deserta ou luta

Os descontentes que troquem de calunga
Rezem agora para outrem
O trem levou sua permuta

ATEU POETA
27/03/2012
01:37

sábado, 24 de março de 2012

METÁSTASE

 
Será que a música e a poesia são uma só?
Será que a minha boca e a sua são duas ou uma fusão?
A imperfeição garante que tudo seja incompleto
Se existe paixão, amor ou qualquer outro sentimento de posse
É apenas obsessão
Uma compulsiva busca pelo elo
Um eterno duelo de completar-se
O inteiro não é mais que o inverso de uma catarse
Mas que sempre regressa à metástase de outrora
A vida não é mais que uma aurora
Uma quebra da matéria morta
Que por uma razão carbônica
Nessa orquestra filarmônica de hidrogênio
Nos permite o oxigênio da razão mnemônica
De todas as obras astronômicas
Nada é tão belo quanto a musa
Por que sem a mulher não haverá poeta
Ou qualquer obra de arte de valor que se produza
ATEU POETA
24/03/2012
14:16

sexta-feira, 23 de março de 2012

ODE À POÉTICA


 Ninguém nasce poeta
A poesia não existia
Foi caminho que forjei
Sem dom especial

Não era bom
Mas embarquei no ideal
Me inspirei em professores e livros
De cabeça na poética me lancei

Argonauta de outros tempos me fiz
Finquei raiz
Acreditei

Ser poeta foi a sorte que sonhei
E persisto para sempre navegante
No mundo de Dante me encontrei

ATEU POETA
23/03/2012
18:50

quinta-feira, 22 de março de 2012

PREDADOR


O homem é mais selvagem que a selva a qual destrói
Impera sempre a razão do instinto
A ira é seu ímpeto
Sua mente é predação
Mata qualquer predador natural
Caça caçador a esmo
Na astúcia estreita de destroçar
Consagra a dor mais rarefeita
Faz templo para a morte
Seu consorte é o mosquete atroz
Vive atrás da espada sagaz
Teme não ser algoz
Implanta ódio no coração da paz
Seu ás na manga é a destruição

ATEU POETA
8:55 da manhã
22/03/2012

MÁQUINA DE LAVAR

 
                                                                   Lavagem de dinheiro
Lavagem cerebral
Carnaval o ano inteiro
É nossa herança cultural

O que é estar limpo?
A ficha suja limpa fácil
Põe na máquina do senado
Põe na máquina de lavar

Não sabemos votar
Alguém aí ensina?
A sina do cabresto
Mora em cada esquina

ATEU POETA
22/03/2012
7:48 da manhã

terça-feira, 20 de março de 2012

REVOLUÇÃO


REVOLUÇÃO
(versão soneto)

Sonhei com um mundo diferente
Eu não podia acreditar
Em tanta coisa dessa gente
Tão estúpida e atroz

Mais um dia, sigo em frente 
Temos que acordar
Por que tudo que existe
Na essência é igual

Toda a beleza é igual a nós
Os monstros, o universo é igual a nós
Mendigo, deputado é igual a nós

Bancário ou favelado é igual a nós
Não deixe os poderosos no poder
Faça a revolução

ATEU POETA
20/03/2012
7:00 AM
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REVOLUÇÃO
(versão original para música de rock)

Sonhei com um mundo diferente
Eu não podia acreditar
Em tanta coisa dessa gente
Tão estúpida e atroz

Mais um dia, sigo em frente 
Temos que acordar
Por que tudo que existe
Na essência é igual

Toda a beleza é igual a nós
Os monstros, o universo é igual a nós
Mendigo, deputado é igual a nós
Bancário ou favelado é igual a nós

Não deixe os poderosos no poder
Não deixe os poderosos no poder
Não deixe os poderosos no poder
Faça a revolução

ATEU POETA
20/03/2012
6:30 AM

sábado, 17 de março de 2012

DEUSA AMORDAÇADA

DEUSA AMORDAÇADA

Os gregos se inspiravam nas deusas para compor
Nas mortais é que eu piro
Elas que me causam o delírio de ser poeta
São o real portal da poesia
Portadoras da beleza de maestria mais sublime
Carregam consigo uma força quase surreal
Levam do céu ao abismo
Resgatam do inferno mais profundo
Os que as tratam como produto no tráfico europeu
Envergonham a própria essência do menor pedaço de matéria
 Não merecem nenhuma de suas artérias
 Pois profanam a razão de ser do mundo
Das mulheres é que o prazer emana
Nos dão afeto
Abrigo
Alimento
Pulam de peito aberto no perigo mais cruel
E ainda entram nos padrões exigidos por cada sociedade
Cada mulher tem em si uma força semântica que nem sabe
Conquista qualquer sabre
Constrói monumentais castelos
Derruba muralhas
Cria elos
Seduz Zeus e Eros
Faz do covarde herói
E apesar de tudo é subestimada
A gana de deusa faz morada em cada escrava sexual

ATEU POETA
Pacoti-Ceará
4h.
17/03/2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

HÁ UMA PEDRA NO MEIO DO CAMINHO


É preciso perder o medo de falhar para ir em frente
Viver é um ato de coragem e o mundo não esperará por nós
Se a carência é o recomeço que refaçamos tudo
Há um caminho no meio da pedra mas requer dinamite
O sonho só tem limite para quem desistir
A luta perde o sentido se nos rendermos agora
Aquilo que perdemos não nos parará
Há perigos mil nesta estrada tortuosa
A noite apavora com seu sorriso estridente
Se for preciso tomar o tridente, tomaremos
O verdadeiro soldado jamais desistirá

ATEU POETA
15h e 10 min, 14/11/2011

DIVA NEGRA


DIVA NEGRA

É preciso sentir a solidão de mil mundos para que da dor a poesia prospere
O furor mina o instante de calmaria por que nada jamais será imbatível
Ninguém vive a ponto de ser inatingível ou imortal
A vida é feita de forma que a arte impere
Só quero, dama, do teu sabor um ampére desiderato que ao poeta ampare
Me ressuscite
Por que a beleza feminil excita a ponto da própria decadência da morte sublimar
Eleva tanta jactância que cada entrância vira instância do prazer mais supremo
A mulher é a flor da real estância
Rainha de tudo que é surreal
Louco é quem a renega
Diva negra que supera o simbolismo da razão da letra mais fiel
Dá sentido a existência
Faz fenecer da tristeza a essência e florescer da manhã a virtude com afã infinito que transforma a literatura em fã
Aquece o coração mais álgido
Suprimindo em festa a carência da paixão mais nefasta
Na mais fantástica fantasia que o mal afasta
Doce maré de avelã
Fascinação à revelia
Faz sumir o chão com o olhar e um sorriso mais lindo que o mar que inebria

ATEU POETA
3:40
Pacoti, Ceará
14/03/2012

quarta-feira, 7 de março de 2012

ANTI-PSIQUÊ



ANTI-PSIQUÊ
Não tenho braços tão largos que abarquem tudo que preciso
Nem pernas tão rápidas que alcancem o que quero
Ou olhos tão hábeis que mirem somente o vital
Mais uma ave que voa para longe do ideal
Minhas asas se encorujam no ostracismo da razão
O frio da solidão me acerta forte o peito
Os sentimentos são leito rarefeito
Sou máquina sem cura
Na torturante loucura de ser homem
O universo é um cárcere gigante de vácuo e hidrogênio
Ando preso na poesia de mim mesmo
Um poeta a esmo na maresia do sonhar sem fim
A procura da daymon ou Nefertári
Uma anti-Psiquê que vá de deusa à mortal
Desafiando o portal de tudo o que fora surreal
Contrariando a prisão da matéria
Que faça da paixão bactéria
Sem antídoto
Sem sentido
Com o trágico torpor de nunca acordar
Ou que sane de vez essa prima carência
Antes que a estrela me resgate a subir
A poeira-cósmica matará qualquer tristeza
Não mais a ausência desfará a fortaleza
Nem a consumirá
Apenas sumirá tudo que um dia fui
Flui a vida para o fluido da essência
 A carência não mais terá urgência a suprir
Não existirá sorriso
E nenhuma lágrima irá cair
ATEU POETA
07/03/2012